Rhythms of Life, August 1-5, 2017

LATE-BREAKING ABSTRACTS

SUBMISSION FROM 5-19th OF JUNE

Fisiologistas Brasileiras em Destaque:

Profa Ana Maria de Lauro Castrucci, USP

Sua trajetória acadêmica:

Obteve o título de doutor em Fisiologia Geral pela Universidade de São Paulo em 1974, sob orientação do Prof. Erasmo Garcia Mendes. No ano seguinte ingressou como docente na mesma Universidade, permanecendo até os dias de hoje. Orientou 22 mestrados, 14 doutorados e supervisionou 12 pós doutorandos, dentro dos seguintes temas: regulação fótica, térmica e hormonal da pigmentação nos vertebrados com ênfase em receptores, mecanismos de transdução de sinal e expressão de opsinas e genes de relógio biológico, o que resultou na publicação de mais que 130 artigos científicos. A relevência estudos desenvolvidos se refletiu também em vários prêmios recebidos ao longo de sua trajetória: eleita membro da Academia Brasileira de Ciências em 1996; um dos 10 mais importantes "breakthrough of the year" em ciência pela revista Science, em 2002; recebeu o título de comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, em 2005 e foi eleita membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, em 2008.

Sobre ela:

Uma cientista incansável e entusiasta na formação de recursos humanos, que com postura ética e forte disposição de inovar, trouxe importantes contribuições para a fisiologia dos fotopigmentos.

Sua Pesquisa em destaque:

No início dos anos 2000, uma grande descoberta ampliou nosso entendimento de como percebemos a luz ambiental. A Profa Ana Maria, foi integrante do grupo de pesquisadores, liderado pelo Prof. Ignacio Provencio (University of Virginia), participando ativamente dos experimentos que culminaram com esta descoberta. Foi demonstrado que a melanopsina, um pigmento presente na retina de mamíferos, é responsável por ajustar nosso relógio biológico à luz ambiental. Esta descoberta baseou-se em estudos com animais portadores de degeneração retiniana (ausência de fotorreceptores clássicos visuais) e nocautes para a melanopsina, os quais exibiam ausência de foto-arrastamento, perda da resposta pupilar e perda da supressão fótica do transcrito da enzima chave da síntese de melatonina. Em função destes achados, hoje sabemos que a rota neural que informa nosso relógio biológico sobre o fotoperíodo não é a mesma da percepção luminosa formadora de imagem. Este pigmento absorve luz no comprimento do azul, tal informação fótica ao atingir o oscilador central promove uma série de alterações moleculares, que gera respostas rítmicas controlando a maioria dos processos vitais. Estes achados têm contribuído para o entendimento do funcionamento dos ritmos circadianos. Sabemos que a quebra da sincronia temporal interna advindas com os estilos modernos de vida leva a patologias, caracterizando o que chamamos de cronoruptura. O conhecimento da percepção luminosa para fins do ajuste do relógio biológico gerou nova perspectiva para o entendimento de patologias associadas a cronoruptura, tais como obesidade, hiperglicemia, hipertensão arterial, resistência à insulina, dislipidemia, depressão, síndrome metabólica e até mesmo câncer.

 

1: Provencio I, Rollag MD, Castrucci AM. Photoreceptive net in the mammalian retina. This mesh of cells may explain how some blind mice can still tell day from night. Nature. 2002; 415(6871): 493.

2: Panda S, Sato TK, Castrucci AM, Rollag MD, DeGrip WJ, Hogenesch JB, Provencio I, Kay SA. Melanopsin (Opn4) requirement for normal light-induced circadian phase shifting. Science. 2002; 298(5601):2213-6.

3: Panda S, Provencio I, Tu DC, Pires SS, Rollag MD, Castrucci AM, Pletcher MT, Sato TK, Wiltshire T, Andahazy M, Kay SA, Van Gelder RN, Hogenesch JB. Melanopsin is required for non-image-forming photic responses in blind mice. Science. 2003 Jul 25;301(5632):525-7.

 

Escrevem este texto:

Profa. Maristela O.Poletini (ICB, UFMG, ex-Pós Doc do Lab. da Profa Ana Castrucci) e Maria Nathalia Moraes (Pós Doc e doutora formada pelo Lab. Profa Ana Castrucci).